Ela resolveu abrir a porta do armário que fechou, cerca de um ano atrás, quando saiu de casa. As coisas ainda estavam lá, do jeito que deixara, caixas de sapato, pacotes, coisas desarrumadas que teve preguiça de ver o que eram. Mas as caixas eram pesadas, ela quis saber o que estava lá. Descobriu que elas estavam pesadas de lembranças do que já havia esquecido.
Abriu.
Encontrou nelas um antigo quebra-cabeça do Pica-Pau, uns tazos, geloucos e um bonequinho do Power Rangers, que quem é da década de 90 lembra, uns brinquedinhos que ela mesmo fez, um diário que guardava todas as recordações de 2005, uns dentes que a fadinha do dente não quis comprar, uma bolinha que ganhara do avô antes dele morrer, uns anjinhos, um dente de javali e um envelope amarelo.
O envelope chamou mais atenção que todo o resto.
Dentro dele, crachás de eventos Maristas, uma carta da melhor amiga, que datava de 23-03-2002, uma lembrança da festa da Família, da viagem do curso de inglês e um papel, amassado, rabiscado.
Ela puxou, abriu o papel e viu nele o original de uns poemas tão rabiscados, tão velhos, tão esquecidos e tão ruins, que riu. Achou graça da inocência de anos atrás.
O poema datava da Segunda Grande Queda, uma dor que parecia infindável, e que hoje parece tão banal. A dor sempre teve o poder de torná-la mais criativa.
Não gostava do poema, mas gostava do começo...
"Peças de um jogo vivo
talhadas em carne crua"
... é verdade que depois ficava um lixo, mas o começo dele sempre a agradou. A frieza a agradava, na verdade.
Então percebeu que mesmo que mudasse de lugar, a dor ia acompanhar, a tristeza iria a encontrar, mesmo em noite sem luar, de uma cidade cinzenta, que tanto faz falta. A frieza.
Mas como é bom viver do passado e da vontade de lembrar.
Abriu.
Encontrou nelas um antigo quebra-cabeça do Pica-Pau, uns tazos, geloucos e um bonequinho do Power Rangers, que quem é da década de 90 lembra, uns brinquedinhos que ela mesmo fez, um diário que guardava todas as recordações de 2005, uns dentes que a fadinha do dente não quis comprar, uma bolinha que ganhara do avô antes dele morrer, uns anjinhos, um dente de javali e um envelope amarelo.
O envelope chamou mais atenção que todo o resto.
Dentro dele, crachás de eventos Maristas, uma carta da melhor amiga, que datava de 23-03-2002, uma lembrança da festa da Família, da viagem do curso de inglês e um papel, amassado, rabiscado.
Ela puxou, abriu o papel e viu nele o original de uns poemas tão rabiscados, tão velhos, tão esquecidos e tão ruins, que riu. Achou graça da inocência de anos atrás.
O poema datava da Segunda Grande Queda, uma dor que parecia infindável, e que hoje parece tão banal. A dor sempre teve o poder de torná-la mais criativa.
Não gostava do poema, mas gostava do começo...
"Peças de um jogo vivo
talhadas em carne crua"
... é verdade que depois ficava um lixo, mas o começo dele sempre a agradou. A frieza a agradava, na verdade.
Então percebeu que mesmo que mudasse de lugar, a dor ia acompanhar, a tristeza iria a encontrar, mesmo em noite sem luar, de uma cidade cinzenta, que tanto faz falta. A frieza.